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Os laboratórios do trabalho digital: entrevistas

Rafael Grohmann (org.)

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Os laboratórios do trabalho digital: entrevistas
  • autor: Rafael Grohmann (org.)
  • orelha: Ruy Braga
  • quarta capa: Edemilson Paraná, Muniz Sodré e Nuria Soto
  • capa: Antonio Kehl
  • apoio: MPT-Funcamp
edição:
coleção:
Mundo do trabalho
selo:
Boitempo
páginas:
248
formato:
23cm x 16cm x 2cm
peso:
380 gr
ano de publicação:
2021
encadernação:
brochura
ISBN:
9786557170748

O trabalho mediado por plataformas está presente em toda a sociedade. Termos como “plataformização”, “uberização”, “dados” e “algoritmos” são vocábulos definitivos na gramática do capital contemporâneo. Em contrapartida, as lutas dos trabalhadores também ganharam novos contornos, em artifícios como o cooperativismo de plataforma, o sindicalismo digital e as plataformas de propriedade dos trabalhadores.

 Nesta obra, o cientista social Rafael Grohmann traça um panorama dos estudos sobre trabalho e tecnologia por meio de 38 entrevistas com os principais pesquisadores da área no Brasil e no mundo, como Virginia Eubanks, Jamie Woodcock, Ursula Huws, Ludmila Costhek Abílio e Ricardo Antunes.

Uma das várias lições deste livro é que o cenário atual do trabalho em plataformas não é inevitável como aparenta ser; é, pelo contrário, um laboratório. Se, por um lado, o capitalismo experimenta novos mecanismos de subjugação da classe trabalhadora, por outro é possível formular alternativas, construir projetos prefigurativos e lutar pela não precarização do trabalho gerido por algoritmos e realizado por milhares de trabalhadores em todo o mundo.

 

Trecho

“A uberização, na verdade, trata da transformação do trabalhador nesse profissional just-in-time. Acho que essa é uma forma de resumir a história, mas é uma definição complexa. A ideia do trabalhador just-in-time é consolidar uma forma de subordinação e gerenciamento do trabalho inteiramente apoiada em um trabalhador desprotegido. E essa desproteção é mais perversa do que a simples ausência de direitos, de uma formalização da jornada. É um trabalho totalmente desprotegido em termos legais porque o trabalhador é transformado em um autogerente de si próprio, que não conta com nenhuma garantia associada às leis trabalhistas. Mas penso que isso seja algo ainda mais profundo, que vai além do caráter da desproteção. Há a ideia de que é possível constituir uma multidão de trabalhadores disponíveis, que podem ser recrutados pelos meios tecnológicos existentes hoje. Então, eles são recrutados na exata medida das demandas das empresas ou do capital, se quisermos falar de uma forma mais genérica, não dispondo de garantia alguma sobre a própria forma de reprodução social.” – Ludmila Costhek Abílio.